Mais frases de Gérard de Nerval!

Hórus O deus Kneph tremendo abalava o universo: Ísis, a mãe, então ergueu-se do seu leito, Fez um gesto de ódio ao esposo contrafeito, E ao verde olhar surgiu o antigo ardor imerso. Disse ela: “Ei-lo que morre, este velho perverso, Toda a geada do mundo em sua boca achou preito, Amarrai seu pé torto, arriai o olho imperfeito, Este é o deus dos vulcões e o rei do inverno adverso! A águia passou, o novo espírito me impele, Por ele eu me vesti com as roupas de Cibele… É o bem-amado infante de Hermes e de Osíris!” Fugira a deusa já em sua concha dourada, O mar fazia rever sua imagem adorada, E brilhavam os céus por sob o manto de Ísis.

Por Gérard de Nerval

Myrtho Myrtho, divina, invoco a ti que encantos lanças, Ao Pausílipo altivo em mil fogos luzente, Em tua fronte imersa em brilhos do Oriente, E uvas negras mescladas a esse ouro das tranças. Também em tua taça eu bebi inconsciência, E no clarão furtivo em teu olho ridente, Enquanto aos pés de lacos vêm-me reverente, Pois a Musa me fez como um filho da Grécia. Sei porque lá adiante está o vulcão aberto… Foi porque ontem tocaste-o com o pé intranquilo, E de súbito em cinzas o horizonte incerto. Desde que um duque destruiu deuses de argila, Sempre, sob as ramagens, louros de Virgílio, Uniu-se a hortênsia pálida à mirtácea verde!

Por Gérard de Nerval

⁠El Desdichado Eu sou o Tenebroso, – o Viúvo, – o Inconsolado, O Senhor de Aquitânia à Torre da abulia: Meu único Astro é morto, o meu alaúde iriado Irradia o Sol negro da Melancolia. Na noite Sepulcral, Tu que me hás consolado, O Posílipo e o mar Itálico me envia, A flor que tanto amava o meu ser desolado, E a treliça onde a Vinha à Roseira se alia. Sou Biron, Lusignan?… Febo ou Amor? Na fronte Ainda o beijo da Rainha rubro me incendeia; Eu sonhei na Caverna onde nada a Sereia… E duas vezes cruzei vencedor o Aqueronte: Modulando na cítara a Orfeu consagrada Os suspiros da Santa e os arquejos da Fada.

Por Gérard de Nerval

Antêros Perguntas-me por que no peito tal furor Sobre o colo dobrado, o espírito indomado; É porque pela raça de Anteu fui talhado, Eu devolvo estes dardos ao deus vencedor. Sim, sou um dos que inspiram esse Vingador, Ele marcou-me a fronte com lábio irritado, Na palidez de Abel, assim! ensanguentado, Eu tenho de Cain o implacável rubor! Jeová! último, vencido por tua mestria, Do fundo dos infernos, grita: “Ó tirania!” Será meu avô Belus ou meu pai Dagão… Jogaram-me três vezes em água em Cocito, E eu só a proteger a mãe Amalecita, A seus pés planto os dentes do velho dragão.

Por Gérard de Nerval