Noites, estranhas noites, doces noites! A grande rua, lampiões distantes, Cães latindo bem longe, muito longe. O andar de um vulto tardo, raramente. Noites, estranhas noites, doces noites! Vozes falando, velhas vozes conhecidas. A grande casa; o tanque em que uma cobra, Enrolada na bica, um dia apareceu. A jaqueira de doces frutos, moles, grandes. As grades do jardim. Os canteiros, as flores. A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz. Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre. A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!