Mais frases de Hélia Correia!

De que armas disporemos, senão destas que estão dentro do corpo: o pensamento, a ideia de polis, resgatada de um grande abuso, uma noção de casa e de hospitalidade e de barulho atrás do qual vem o poema, atrás do qual virá a colecção dos feitos e defeitos humanos, um início.

Por Hélia Correia

A terceira miséria é esta, a de hoje. A de quem já não ouve nem pergunta.

Por Hélia Correia

Para quê, perguntou ele, para que servem Os poetas em tempo de indigência? Dois séculos corridos sobre a hora Em que foi escrita esta meia linha, Não a hora do anjo, não: a hora Em que o luar, no monte emudecido, Fulgurou tão desesperadamente Que uma antiga substância, essa beleza Que podia tocar-se num recesso Da poeirenta estrada, no terror Das cadelas nocturnas, na contínua Perturbação, morada da alegria;

Por Hélia Correia

Essa beleza que era também espanto Pelo dom da palavra e pelo seu uso Que erguia e abatia, levantava E abatia outra vez, deixando sempre Um rasto extraordinário. Sim, a hora, Dois séculos antes, em que uma ausência E o seu grande silêncio cintilaram Sobre a mão do poeta, em despedida.

Por Hélia Correia