Mais frases de Steeve!

Há duas maneiras de não sofrer. A primeira parece fácil para a maioria das pessoas e consiste em aliar-se ao inferno até não mais senti-lo. A segunda é difícil e exige aprendizado continuo e constante e consiste em saber quem é o quê, no meio do inferno, que não é inferno e preservá-lo e abrir espaço!

Por Italo Calvino

O homem, animal feroz, primo do gorila, partiu da noite profunda do instinto animal para chegar à luz do espírito, o que explica de uma maneira completamente natural todas as suas divagações passadas e nos consola em parte de seus erros presentes. Ele partiu da escravidão animal, e atravessando a escravidão divina, termo transitório entre sua animalidade e sua humanidade, caminha hoje rumo à conquista e à realização da liberdade humana. Resulta daí que a antiguidade de uma crença, de uma ideia, longe de provar alguma coisa em seu favor, deve, ao contrário, torná-la suspeita para nós. Isto porque atrás de nós está nossa animalidade, e diante de nós nossa humanidade; a luz humana, a única que pode nos aquecer e nos iluminar, a única que nos pode emancipar, tornar-nos dignos, livres, felizes, e realizar a fraternidade entre nós, jamais está no princípio, mas, relativamente, na época em que se vive, e sempre no fim da história. Não olhemos jamais para trás, olhemos sempre para a frente; à frente está nosso sol, nossa salvação; se nos é permitido, se é mesmo útil, necessário nos virarmos para o estudo de nosso passado, é apenas para constatar o que fomos e o que não devemos mais ser, o que acreditamos e pensamos, e o que não devemos mais acreditar nem pensar, o que fizemos e o que nunca mais deveremos fazer.

Por Bakunin

A Dança/ Soneto XVII Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo em que não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Por Pablo Neruda

Me apego na lembrança De um dia a gente se encontrar Pra dizer o que faltou coragem Pra falar de toda as verdades Pra saber se é muito tarde Pra recomeçar Deixa eu te contar o que eu ando fazendo Tô planejando te encontrar no tempo Algo muito longe pra te ver sorrir Mas ao mesmo tempo bem perto pra te ver partir Mesmo na distancia nada vai impedir O que eu sinto por você não me deixa dormir Nem mesmo sonhando acordado Eu paro de sentir Você aqui Fico entorpecido só de imaginar No momento que eu conseguir falar Tudo que guardei hoje eu quero jogar Pro alto pra recomeçar. Mesmo na distancia nada vai impedir Eu paro de sentir Você aqui...

Por LetíciaRSilva

Eu não sei se vale a pena Mas eu tô tentando do lado de cá É difícil entender o que se passa na sua mente quando eu volto a te ligar. Quanto mais o tempo passa mais aumenta a vontade de te procurar. Só que eu tô levando a sério Se você não me esqueceu "vambora" que eu tô indo te buscar. Vamos viver O que tiver que ser será Não importa quantas vezes eu já desisti Todas as vezes fracassei tentando superar Você,não entende toda vez que eu vou seguir Eu vou sabendo que eu vou te procurar Pra te fazer sentir Qualquer faísca desse amor que tenho pra te dar.

Por LetíciaRSilva

Bastou eu só olhar Pra você logo me notar A gente se escondeu Achando que não ia dar Foi quando olhei e disse Brincar de amor pode matar Você piscou pra mim E disse bem vou arriscar Eu sonhei com você Sonho assim tão singular Eu selei nós lábios teus O aval do meu coração Olhando da janela Contamos historias pra durar Exatamente essas Que por pouco nos matou Eu disse é complicado Sou eu quem trago meus pedaços Cê disse meu amor Acha que nunca morri de amor Eu sonhei com você Sonho assim tão singular Eu selei nos lábios teus O aval do meu coração

Por LetíciaRSilva

⁠SONETO COBIÇOSO Talvez, depois do soneto chorar o passado De tanto malogro, de tanto nublar comigo Eis que ressurge verso tão cheio de abrigo Nunca perdido, sonhado, sempre inspirado É bom conservá-lo sempre ao meu lado Com o cheiro e prazer de desejo antigo Sempre presente e assim transformado Vivo, e como sempre adejante comigo Um verso simples, singular, cotidiano Mas bem alindado na poética a incitar Nada ímpar, basta o sentir humano... De amor, sensação que não se explica Surgi tão vário como vário é o poetar E o soneto cobiçoso só se multiplica! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15/08/2021, 14’58” - Araguari, MG

Por Poeta do cerrado LUCIANO SPAGNOL

"Bom, para começo de conversa", comecei, ainda lhe apresentando um sorriso ameno e tranqüilizador, "você é um canalha e sabe disso. Tem medo de alguma coisa, ainda não sei do quê, mas vamos chegar lá. Comigo, você faz de conta que é simplório, um joão-ninguém, mas de si para si tem-se na conta de muito esperto, de importante, de durão. Não tem medo de coisa alguma, não é mesmo? Tudo conversa fiada, e você sabe muito bem. Vive cheio de medo. Diz que agüenta. Agüenta o quê? Um murro no queixo? Claro que agüenta, com uma cara de concreto feito a sua. Mas será que agüenta a verdade?".

Por Henry Miller

Por não compreendermos a significação das palavras, nem eu nem meus amigos, uma coisa se tornou muito clara: que há maneiras de não compreender e que a diferença entre a não compreensão de um indivíduo e a não compreensão de outro cria um mundo de terra firma ainda mais sólido que as diferenças de compreensão. Tudo quanto outrora eu pensava ter compreendido desfez-se e eu fiquei como uma lousa limpa. Meus amigos, por outro lado, entrincheiravam-se mais solidamente na pequena vala de compreensão que haviam escavado para si próprios. Morreram confortavelmente em sua pequena cama de compreensão, para se tornarem cidadãos úteis do mundo. Senti pena deles e sem demora abandonei-os um a um, sem o menor pesar.

Por Henry Miller

Acontece Bateram à minha porta em 6 de agosto, aí não havia ninguém e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira e transcorreu comigo, ninguém. Nunca me esquecerei daquela ausência que entrava como Pedro por sua causa e me satisfazia com o não ser, com um vazio aberto a tudo. Ninguém me interrogou sem dizer nada e contestei sem ver e sem falar. Que entrevista espaçosa e especial! (Últimos Poemas)

Por Pablo Neruda