Nenhum de nós passeia impune pelos retratos: fazem-nos doer os recessos da memória. Deles saltam, por vezes, sustos, primeiras noites, secreta loucura, lábios que foram. Interditam-nos sempre. Trepam-nos pelo torpor mais desprevenido, subsistem. A sua perenidade é volátil e cheia de venenosos ardis. Um sopro no acetato. Distintos, os seus contornos não são nunca os que supomos.
A frase mais vista deste Autor.
Gosto da claridade penumbrosa de adolescentes indecisos. Gosto deles assim lentos inaptos, vorazes, sedentos do labor meticuloso e da antiquíssima sabedoria de outras mãos. Anjos devastados, senhores do caos é para longe que partem.
A noite toda a selva dissolvendo-se em sândalo e esquecimento. Casas, degraus a prumo, águas despedaçadas. Equilíbrio precário num fio de luz.