firmava os pés no chão enquanto varria, mecanicamente, os cacos de vidro. era a primeira vez que não se arrependia dos gritos, do murro na porta, de mais um copo atirado contra a parede. estava sozinha, reconhecendo suas frustrações, a parcela de si não compartilhada, e já não lhe importava o lado de fora – algo haveria de se perder, sempre, no vácuo entre duas mãos sobrepostas. em minutos, um vizinho solidário invadiria sua sala e, com tiques de pardal, exploraria cada canto, procurando marcas da Louca, até finalmente perguntar tudo bem? e ela responder, sorrindo, que sim.
A frase mais vista deste Autor.
a impertinência da cura. arrancaram meus caninos, tenho as gengivas suturadas à mostra. de medo: tormenta [mãos de pólvora afagando o fogo]
toda noite vem o homem vestido de branco e digo a ele é impossível domar a água I just sit on the ground in your way o homem vestido de branco anota a minha doença num papel.