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Amei em Pequim Em Jerusalém Em Amsterdã Mas o meu divã É tua pele Tupi Guaraná, Guarani Cheguei em Paris De lá pude ver Toda tua luz Minha Vera Cruz Eu te amo E apesar de cigano, Só penso em você A flor que despenca do teu galho Morre de saudade da raiz Minha Vera Cruz Minha vida Vera Cruz minha vida Meu amor
Por Jorge VercilloExistem homens de bem, homens que se dão bem e homens que são flagrados com os bens.
Por Lawrence PeterA história, esse quadro terrível dos crimes, das perversidades e das desgraças do gênero humano.
Por Edward GibbonNão vou depender do sonho de outra pessoa. E também não vou viver o seu sonho. Vou viver por conta própria. Esta é a minha vida.
Por Itaewon ClassDeuteronômio, DT, 32:27, se eu não tivesse receado a provocação do inimigo, para que os seus adversários não se iludam, para que não digam: ´A nossa mão prevaleceu, e não foi o Senhor quem fez tudo isto.`
Por Deuteronômio, Antigo TestamentoFaz de conta que ela não estava chorando por dentro – pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.
Por Clarice LispectorA força, autenticidade e poder de uma mulher não estão nas suas roupas, fotos, caras e bocas. Sua beleza e sensualidade não se resumem a um traje da moda, em quantos homens seduzem, nem por generosos decotes... O poder de uma mulher vem de dentro, a química está no seu olhar e a magia que seduz, atrai e encanta está na simples forma de ser ela mesma na mais profunda verdade de seu ser.
Por Carolina SalcidesNa Noite Terrível Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incômoda, Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. Relembro, e uma angústia Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures, Na ilusão do espaço e do tempo, Na falsidade do decorrer. Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; O que só agora vejo que deveria ter feito, O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — Isso é que é morto para além de todos os Deuses, Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... Se em certa altura Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; Se em certo momento Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim; Se em certa conversa Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro — Se tudo isso tivesse sido assim, Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro Seria insensivelmente levado a ser outro também. Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido, Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo; Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse; Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas, Claras, inevitáveis, naturais, A conversa fechada concludentemente, A matéria toda resolvida... Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói. O que falhei deveras não tem sperança nenhuma Em sistema metafísico nenhum. Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei, Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar? Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver. Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos, Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca Como uma verdade de que não partilho, E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim. , in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa
Por Álvaro de CamposHá maneiras e maneiras de calar. Há maneiras de dizer calando. Às vezes a única é calar o que todos entendemos que deveria ter sido dito.
Por Antonio Skármeta