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Não tinha certeza de haver conseguido formar a palavra ou se tinha apenas pensado nela, mas foi então que uma escuridão mais envolvente que jamais conhecera cobriu-o, como um cobertor ou uma manta, e a diferença entre o dito e o não dito não mais importava.

Por Guy Gavriel Kay

E eu não vou negar Que eu me sinto distante Mas não muito longe e uma seta me guia até você

Por Cidade Dormitório

Para ver o rosto dele de novo, eu faria absolutamente qualquer coisa.

Por Alice and Zouroku

Apocalipse, AP, 6:16, e disseram aos montes e aos rochedos: - Caiam sobre nós e nos escondam da face daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro!

Por Apocalipse, Novo Testamento

I Reis, 1RS, 8:28, Atenta, pois, para a oração de teu servo e para a sua súplica, ó Senhor, meu Deus, ouvindo o clamor e a oração que faz hoje o teu servo diante de ti.

Por I Reis, Antigo Testamento

Aos dezoito anos, nossas convicções são colinas de onde contemplamos o horizonte; aos quarenta e cinco, são cavernas em que nos escondemos.

Por F. Scott Fitzgerald

Para mim, as palavras numa página dão coerência ao mundo.

Por Alberto Manguel

Números, NM, 20:21, Assim os edomitas se recusaram a deixar Israel passar pelo seu país, e por isso Israel se desviou dali.

Por Números, Antigo Testamento

⁠Eu amo uma boa história de pedido de casamento, mas a favorita que eu já ouvi? Bem, eu te avisarei quando ele disser “sim”.

Por Julie Soto

Grandes são os desertos Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo inteiro. Volta amanhã, realidade! Basta por hoje, gentes! Adia-te, presente absoluto! Mais vale não ser que ser assim. Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito. Mas tenho que arrumar mala, Tenho por força que arrumar a mala, A mala. Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão. Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala. Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas, A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino. Tenho que arrumar a mala de ser. Tenho que existir a arrumar malas. A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte. Olho para o lado, verifico que estou a dormir. Sei só que tenho que arrumar a mala, E que os desertos são grandes e tudo é deserto, E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci. Ergo-me de repente todos os Césares. Vou definitivamente arrumar a mala. Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; Hei de vê-la levar de aqui, Hei de existir independentemente dela. Grandes são os desertos e tudo é deserto, Salvo erro, naturalmente. Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado! Mais vale arrumar a mala. Fim.

Por Álvaro de Campos