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A biologia te dá um cérebro. A vida o transforma em uma mente.

Por Jeffrey Eugenides

Um casal normal não convence muito. O casal, quanto mais desequilibrado, mais real é.

Por Esposa de aluguel (filme)

O ministro puritano Thomas Manton, que outrora foi o capelão de Oliver Cromwell, comparou o cristão desobediente a uma criança que sofre de raquitismo. “O raquitismo torna as cabeças grandes e os pés fracos. Não apenas devemos discutir quanto à palavra, e falar a respeito dela, mas também guardá-la. Não sejamos nem só ouvidos, nem só cabeça, nem só língua, mas os pés têm de se exercitar!”

Por John Stott

⁠Pra ser presidente precisa de vocação para cuidar do povo. Quem tem vocação pra vender tudo, que abra uma franquia.

Por Guilherme Boulos

⁠Ameaças, promessas e boas intenções não equivalem a uma ação. (Gato de Cheshire)

Por Alice: Madness Returns

A prisão é uma forma muito cara de tornar as pessoas piores.

Por Douglas Hurd

⁠HINO À SOLIDÃO Diz-se que a solidão torna a vida um deserto; Mas quem sabe viver com a sua alma, nunca Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo aberto Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca. Mundo vasto que mil existências povoam: Imagens, concepções, formas do sentimento,Sonhos puros que nele embeleza, revoam E ficam a brilhar, sol do seu firmamento. Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra Esse fecundo chão onde se esconde e medra A semente que vai germinar na Palavra, Cantar no Som, florir na Côr, sorrir na Pedra! Basta que certa luz de seus raios aqueça A semente que jaz na sua leiva escondida, Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça, De perfumes enchendo as estradas da Vida. Sei que embora essa luz nem para todos tenha O mesmo brilho, o mesmo impulso criador, Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha, Vivendo como um Deus no seu mundo interior. E que mundo sublime, esse em que ele se agita! Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou, E em cuja criação o seu sangue palpita, Que não ha Deus estranho aos orbes que formou. Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora... O passado e o porvir são ânsias e saudades: Só no instante que passa a plenitude mora. Sombra crepuscular, que a Noite não atinge , Nem a Aurora desfaz: rosiclér e luar, Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge, E o seu mistério ensina a quem sabe escutar. Mas então, inundando essa penumbra doce, De não sei que sublime esplendor sideral, Como se a emanação d'um ser divino fosse, Deixa no nosso olhar um reflexo imortal. Na vertigem que a vida exalta e desvaria, Pára alguém para ouvir um coração que bate? No seio mais formoso, o olhar que se extasia Vê o mundo que nele em ânsias se debate? É só na solidão que a alma se revela, Como uma flor nocturna as pétalas abrindo, A uma luz, que é talvez o clarão d'uma estrela, Talvez o olhar de Deus, d'astro em astro caindo... E d'essa luz, a flor sem forma, ha pouco obscura, Recebe o seu quinhão de graça e de pureza, Como das mãos do artista, animando a escultura, O mármore recebe a sua alma--a Belleza. Se sofrer é pensar, na paz do isolamento, Como num cálice cheio o liquido extravasa, A Dor, que a Alma empolgou, trasborda em pensamento, E a pouco e pouco extingue o fogo em que se abrasa. Como a montanha de ouro, a Alma, em seu mistério, Á superfície nunca o seu teor revela; Só depois de sondado e fundido o minério Se conhece a riqueza acumulada nela. Corações que a Existência em tumulto arrebata! Esse ouro só se extraem do minério candente, No silencio, na paz, na quietação abstracta, Das estrelas do Céu sob o olhar indulgente...

Por Antônio Feijó

Eu só tinha a mim, mas eu era brutal e inóspita.

Por Andréa del Fuego

LEMBRANÇAS DE MORRER Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro, - Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Como o desterro de minh’alma errante, Onde fogo insensato a consumia: Só levo uma saudade - é desses tempos Que amorosa ilusão embelecia. Só levo uma saudade - é dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas. De ti, ó minha mãe, pobre coitada, Que por minha tristeza te definhas! Se uma lágrima as pálpebras me inunda, Se um suspiro nos seios treme ainda, É pela virgem que sonhei. que nunca Aos lábios me encostou a face linda! Só tu à mocidade sonhadora Do pálido poeta deste flores. Se viveu, foi por ti! e de esperança De na vida gozar de teus amores. Beijarei a verdade santa e nua, Verei cristalizar-se o sonho amigo. Ó minha virgem dos errantes sonhos, Filha do céu, eu vou amar contigo! Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela: Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Por Álvares de Azevedo

Ninguém aqui morre só a sua morte; / é um pouco de nós todos que se vai / e naquele que nasce há um pouco de todos nós / que se torna outro.

Por Gaston Miron