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Eu gosto de errar. Sinto o cheiro e gosto dos meus erros e simpatizo com eles. O certinho me causa desconfiança. Antipatizo com o correto. Prefiro a minha infelicidade com flashes de felicidade momentânea... Esperar não é para mim. Produzo teorias que não servirão para nada. Invento palavras que não existem, faço meu próprio dicionário. Crio definições que só eu uso e, ainda por cima, me mato de rir. Prefiro a minha insanidade com flashes de sanidade instantânea... O que presta é o que me interessa. O que eu quero, agarro. O que eu desejo, abraço. O que eu sonho, desenho. O que eu imagino, escrevo. O que eu sinto, escondo. A perfeição está no meu humor. Está na minha emoção. Está nas minhas linhas tortas e devaneios tolos. Nem sempre minhas ações condizem com as minhas palavras. Me conheça. Me decifre. Me ame. Me devore.
Por Clarissa CorrêaOnde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.
Por Miguel de Cervantes15 Correndo risco constante de absurdo e morte toda vez que atua em cima das cabeças da audiência o poeta sobe pela rima como um acrobata para a corda elevada que ele inventa e equilibrado nos olhares acesos sobre um mar de rostos abre em seus passos tIma via para o outro lado do dia fazendo além de entrechats truques variados com os pés e gestos teatrais da pesada tudo sem jamais tomar uma coisa qualquer pelo que ela possa não ser Pois ele é o super-realista que tem de forçosamente notar a verdade tensa antes de ensaiar um passo ou postura no seu avanço pressuposto para o poleiro ainda mais alto onde com gravidade a Beleza espera para dar seu salto mortal E ele um pequeno homem chapliniano que poderá ou não pegar aquela forma eterna e bela projetada no ar vazio da existência
Por Lawrence FerlinghettiDeuteronômio, DT, 31:22, Assim, naquele mesmo dia, Moisés escreveu este cântico e o ensinou aos filhos de Israel.
Por Deuteronômio, Antigo TestamentoNunca podemos ter certeza de que a opinião que tentamos sufocar é falsa; e se tivéssemos, sufocá-la continuaria sendo um mal.
Por John Stuart MillTalvez fosse possível amar duas versões distintas de alguém ao mesmo tempo. E talvez, só talvez, algumas pessoas ainda quisessem redenção por pecados que não precisassem mais de absolvição.
Por Krystal Sutherlandonde termina o poema onde um ponto de suspensão apenas o poema não termina quando a linha roça a beira do papel tampouco a língua roça aquilo que ela alcança para além da página há o poema imaginado sempre uma imagem de poema desfazendo-se afundando um navio atracando-se no espaço um navio a cada vez refeito mas o corpo do poema não é imaginário tampouco a possibilidade de um limite não há limite apenas limitação a folha acaba a tinta acaba a língua é o ponto de desacordo roçar a página ancorar mas a cada vez apenas por um instante este inacabado este que nunca termina
Por Annita Costa MalufeEncha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com “fatos” que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia.
Por Fahrenheit 451pernoitas em mim e se por acaso te toco a memória...amas ou finges morrer, pressinto o aroma luminoso dos fogos escuto o rumor da terra molhada, a fala queimada das estrelas, é noite ainda o corpo ausente instala-se vagarosamente envelheço com a nómada solidão das aves, já não possuo a brancura oculta das palavras e nenhum lume irrompe para beberes
Por Al Berto