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As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura. Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada. Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos: Que não são embora sejam. Que não falam idiomas, falam dialetos. Que não praticam religiões, praticam superstições. Que não fazem arte, fazem artesanato. Que não são seres humanos, são recursos humanos. Que não tem cultura, têm folclore. Que não têm cara, têm braços. Que não têm nome, têm número. Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local. Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

Por Eduardo Galeano

A verdade és tu. O que mais que se segue já não interessa à conversa. Excepto para demonstrares essa verdade, em movimento de recuo.

Por Vergílio Ferreira

Números, NM, 32:35, Atarote-Sofã, Jazer e Jogbeá;

Por Números, Antigo Testamento

Salmos, SL, 74:21, Não fique envergonhado o oprimido; que o aflito e o necessitado louvem o teu nome.

Por Salmos, Antigo Testamento

História da Carroça Vazia Num certo dia, um pai convidou o filho para irem de Maratona a Atenas a pé. O filho aceitou com entusiasmo, e disse: – Que bom! Meu querido pai, quem sabe se não vejo os ilustres sábios a discursarem na ágora de Atenas. E foram caminhando, depois de um certo tempo, pararam para descansar debaixo de frondosas árvores a beira de um riacho. Se fartaram de beber água e descansaram sob as sombras ouvindo as melodias dos pássaros. Nesse ínterim, também se ouvia um barulho. O menino apurou os ouvidos e disse: – Esse barulho deve ser de uma carroça. – Isso mesmo, disse o pai do menino. É uma carroça vazia... O filho perguntou ao pai: – Papai, como o senhor pode saber se a carroça está vazia se ainda não a vimos? Então disse o pai: – Ora, é muito fácil saber se uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz. O menino virou adulto, e quando ele via uma pessoa falando demais, inoportuna, se intrometendo nas conversas dos outros, tinha a impressão de ouvir a voz do pai dizendo: – Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho. MORAL DA HISTÓRIA Muitas vezes as pessoas que falam muito não têm muito a dizer, enquanto as pessoas mais inteligentes e sábias geralmente falam menos e ouvem mais. Isso significa que, quando alguém fala demais, pode ser porque essa pessoa não tem muitas coisas interessantes para compartilhar ou porque quer chamar atenção para si mesma. Por outro lado, quando alguém é mais reservado, pode ser porque essa pessoa tem muitas coisas interessantes para compartilhar e está mais preocupada em ouvir os outros. É importante prestar atenção na qualidade do que se diz e escolher as palavras com cuidado, em vez de simplesmente falar muito para chamar a atenção.

Por Esopo

Ser pai é a coisa mais difícil que já tive que fazer na minha vida.

Por Billie Joe Armstrong

Não entende, mas não entende com grande autoridade e competência.

Por L. Longanesi

Uma Arte A arte de perder não é de difícil lastro; tantas coisas parecem prenhes de perda que sua perda não constitui nenhum desastre. Perca um pouco a cada dia. Aceite o arrasto do molho de chaves perdido, a hora mal gasta. A arte de perder não é de difícil lastro. Então teste perder mais longe, mais rastros: lugares, nomes, o destino de onde pensava passar férias. E nada disso pressupõe desastre. Perdi o relógio de minha mãe. E, ah, que impacto!, a última ou penúltima das três casas que amei. A arte de perder não é de difícil lastro. Perdi duas cidades, que belas. E, mais vasto, algumas terras, dois rios, um continente, que saudade, mas não chega a ser desastre. ―Mesmo perder você (anedota na voz, gesto que adoro) não deve enganar-me. Pois é claro que a arte de perder não é de tão difícil lastro mesmo que pareça (note!) um desastre.

Por Elizabeth Bishop

Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto. Aceito feliz quem eu sou. Não acho graça em quem não acha graça. Acho chato quem não se contradiz. Às vezes desejo mal. Sou humana. Sou quase normal. Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro. Não sou perfeita, não sou previsível. Sou uma louca. Admiro grandes qualidades. Mas gosto mesmo dos pequenos defeitos. São eles que nos fazem grande. Que nos fazem fortes. Que nos fazem acordar. Acho bonito quem tem orgulho de ser gente. Porque não é nada fácil, eu sei. Por isso continuo princesa. Continuo guerreira. Continuo na lua. Continuo na luta. No meio do caos que anda o mundo, ACEITAR É SER FELIZ.

Por Fernanda Mello

Posso ter distorcido a verdade, mas às vezes temos que fazer esse tipo de coisa pra ajudar um amigo.

Por Diário de um Banana (filme)