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Obrigado (por ter me deixado) Te encontrava nos cômodos todos. Nos pares de meia largados no chão, tão sem combinação quanto eu. Tão largados, amassados, sujos e esquecidos que não existiria metáfora melhor pra falar sobre mim. Doutor, isso passa? Nem tudo passa. E foi um baque descobrir que tem ferida que abre e inflama, tem ferida que abre e corta tanto que leva um pedaço da gente, tem ferida de todo tipo e tanta gente ferida por baixo da roupa que nem dá pra perceber quando se esbarra numa delas pela rua. Eu tava meio despedaçado. Desesperado mesmo. Numa loucura indigna, mas com um quê de drama-psicológico-monólogo-acelerado e me faltou ar. Me faltou ar por conta da pressão e da altitude. O ar congelou e eu fiquei rarefeito. Achava que as coisas todas passavam e foi um baque, como já disse, quando soube que a dor tinha estacionado. Parado bem na minha frente e me atingido numa baliza perfeita. Nem deu tempo de me despedir quando saía do chão e engolia poeira. Doutor, adianta anotar a placa do carro? Você foi aquela quase-coisa-que-deu-certo, sabe? Que me prende no “e se…” que eu nunca vou saber porque foi feita uma escolha voluntária. Aquele meu quase-amor que dói mais do que se tivesse sido porque me arrancou de mim por todo. E você não me segurava, não segurava o banco, não segurava o balanço e me dizia com todas as letras que eu devia ter agradecido só por você ter aparecido. Ainda que estático, ainda que na sombra do quarto como quem avisa que pode levantar no meio da noite e ir embora. Eu só senti que deveria ter agradecido com todas as letras quando você acelerou. Acelerou o carro e parou tudo na minha frente . Será que a gente aprende a dirigir outrra vez? Digo, não no sentido literal da coisa. Mas quanto tempo demora pra passar algo que não se passa? Pra sempre é tempo demais, mesmo que tivessem me cortado o acelerador e eu tivesse que empurrar o carro. No fundo, eu entendi que era tudo uma questão de visão: não tem “e se…” porque você foi. Sem prestar condicionalidade ou oferecer proposta. Você foi e pronto, acabou. A gente é que tem essa mania de estender a história pra tentar se sentir bem depois que é abandonado. Pra encher a cabeça e fingir que ainda vive aquilo. Ou pior: pra provar que você nem sempre foi assim e que se importava, sim, comigo. Mesmo que tudo indique e negue isso. Daí eu retomo os fatos e me lembro, de novo, de você reclamar de eu nunca ter te agradecido. E vejo as faltas, vejo os lapsos, vejo como você nem me fazia tão bem assim. Vejo aquela dependência e me pergunto como eu podia considerar que era amor alguém que vai (embora) sem a menor consideração com você. Se não existiu consideração pelo que se viveu, o outro já admite que nem ligava. E eu lá vou me matar, me envenenar, me tratar com dó como se você merecesse isso? E eu, que sempre fui mal-educado pra você, que nunca soube expressar direito os berros não dados, as noites mal dormidas enquanto lutava pra trancar o teu fantasma aqui dentro (da casa e de mim), queria que passasse e não percebia o controverso estado em que estava. Se queria que passasse, por que aprisionar uma projeção bonita de você que nunca existiu? Foi bem melhor pra mim. E agora eu agradeço pela melhor coisa que você fez por mim: obrigado (por você ter me deixado).

Por Daniel Bovolento

Reza a lenda, que temos a cabeça acima do coração para que o sentimento não ultrapasse a razão. Não seja escravo de um sentimento, o equilíbrio ainda é a melhor receita para se ter um amor saudável e uma mente tranquila. 19/12/13

Por Rosi Coelho

Êxodo, EX, 22:31, - Vocês serão homens consagrados a mim; portanto, não comam carne de animais dilacerados no campo; joguem essa carne aos cães.

Por Êxodo, Antigo Testamento

Há lugar ao sol para todos, sobretudo quando todos querem ficar à sombra.

Por Jules Renard

Coração não tem osso. Não despedaça de verdade.

Por Até o verão terminar (livro)

Entender o mundo, seu lugar nele, é estar sempre sob o risco de se afogar.

Por Kevin Powers

Existem coisas piores no mundo do que ser um espantalho.

Por L. Frank Baum

omo Ulisses te busco e desespero Como Ulisses te busco e desespero como Ulisses confio e desconfio e como para o mar se vai um rio para ti vou. Só não me canta Homero. Mas como Ulisses passo mil perigos escuto a sereia e a custo me sustenho e embora tenha tudo nada tenho que em te não tendo tudo são castigos. Só não me canta Homero. Mas como U- lisses vou com meu canto como um barco ouvindo o teu chamar -- Pátria Sereia Penélope que não te rendes -- tu que esperas a tecer um tempo ideia que de novo o teu povo empunhe o arco como Ulisses por ti nesta Odisseia.

Por Manuel Alegre

⁠Você tem brincado na parte rasa, onde é seguro. Não é aí que encontrará o amor. Para encontrá-lo, você precisa mergulhar mais fundo.

Por Amor Garantido (filme)

Lucas, LC, 7:40, Jesus se dirigiu ao fariseu e lhe disse: <J> - Simão, tenho uma coisa para lhe dizer.</J> Ele respondeu: - Diga, Mestre.

Por Lucas, Novo Testamento