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Fogo!...Queimaram Palmares, Nasceu Canudos. Fogo!...Queimaram Canudos, Nasceu Caldeirões. Fogo!...Queimaram Caldeirões, Nasceu Pau de Colher. Fogo!...Queimaram Pau de Colher... E nasceram, e nascerão tantas outras comunidades que os vão cansar se continuarem queimando Porque mesmo que queimem a escrita, Não queimarão a oralidade. Mesmo que queimem os símbolos, Não queimarão os significados. Mesmo queimando o nosso povo, Não queimarão a ancestralidade.
Por Antônio Bispo dos Santos (Nego Bispo)Pelo caminho de espinhos Avistei um mar de rosas Pra chegar até lá Eu preciso um pouco mais de tempo Preciso de um grande amor Preciso dinheiro, preciso de paz No reino das águas claras Amanheceu a noite mais cedo Debaixo do meu travesseiro Eu encontrei um poço de desejos
Por Rita LeeComo faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo que não é necessário.
Por MichelangeloO ASSINALADO Tu és o louco da imortal loucura; O louco da loucura mais suprema. A terra é sempre a tua negra algema, Prende-te nela a extrema desventura. Mas essa mesma algema de amargura, Mas essa mesma desventura extrema; Faz que tu'alma suplicando gema E rebente em estrelas de ternura. Tu és o poeta, o grande assinalado; Que povoas o mundo despovoado De belezas eternas, pouco á pouco. Na natureza prodigiosa e rica, Toda a audácia dos nervos justifica, Os teus espasmos imortais de louco.
Por Cruz e SousaJá teve aqueles dias que você acordou achando que não aguentaria mais nada e que não tinha ninguém pra te dizer que iria melhorar.
Por Pequena Sereiaa terra é estéril, a arca vazia, o gado minga e se fina! António, é preciso partir! A enxada sem uso, o arado enferruja, o menino quere o pão; a tua casa é fria! É preciso emigrar! O vento anda como doido – levará o azeite; a chuva desaba noite e dia – inundará tudo; e o lar vazio, o gado definhando sem pasto, a morte e o frio por todo o lado, só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António! É preciso embarcar! Badalão! Badalão! – o sino já entoa a despedida. Os juros crescem; o dinheiro e o rico não têm coração. E as décimas, António? Ninguém perdoa – que mais para vender? Foi-se o cordão, foram-se os brincos, foi-se tudo! A fome espia o teu lar. Para quê lutar com a secura da terra, com a indiferença do céu, com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra, com tudo! Árida, árida a vida! António, é preciso partir! António partiu. E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.
Por Fernando Namora