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Romanos, RM, 1:15, Por isso, quanto a mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vocês que estão em Roma.

Por Romanos, Novo Testamento

⁠De que vale ter tudo e não ter nada? Te dar meus lábios, não minha alma?

Por Alexsander Lucio

Gênesis, GN, 21:9, Sara viu que o filho que Agar, a egípcia, teve com Abraão estava zombando de Isaque.

Por Gênesis, Antigo Testamento

Juízes, JZ, 20:37, A emboscada avançou depressa, investiu contra Gibeá e passou os moradores a fio de espada.

Por Juízes, Antigo Testamento

Marcos, MC, 6:33, Muitos, porém, os viram sair e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles.

Por Marcos, Novo Testamento

Hoje estou pensando nas coisas que são fatais Na forma como estou te bebendo Como se eu quisesse me afogar como se quisesse acabar comigo

Por Billie Eilish

A felicidade do homem casado depende das mulheres com quem não se casou.

Por Oscar Wilde

Cores, Sabores, Amores. Se desfazem, E refazem. Aurora, Que outrora, Foi embora. Que desencanto, Me trouxe um pranto, De algo que não tem volta.

Por Juliana Félix

Aqueles que são deixados para trás devem se esforçar ainda mais para viver. Podemos chorar de vez em quando, mas devemos sorrir muito e nos animar. Somos obrigados a fazer isso em troca do amor que recebemos.

Por Goblin

Resíduo De tudo ficou um pouco Do meu medo. Do teu asco. Dos gritos gagos. Da rosa ficou um pouco Ficou um pouco de luz captada no chapéu. Nos olhos do rufião de ternura ficou um pouco (muito pouco). Pouco ficou deste pó de que teu branco sapato se cobriu. Ficaram poucas roupas, poucos véus rotos pouco, pouco, muito pouco. Mas de tudo fica um pouco. Da ponte bombardeada, de duas folhas de grama, do maço - vazio - de cigarros, ficou um pouco. Pois de tudo fica um pouco. Fica um pouco de teu queixo no queixo de tua filha. De teu áspero silêncio um pouco ficou, um pouco nos muros zangados, nas folhas, mudas, que sobem. Ficou um pouco de tudo no pires de porcelana, dragão partido, flor branca, ficou um pouco de ruga na vossa testa, retrato. Se de tudo fica um pouco, mas por que não ficaria um pouco de mim? no trem que leva ao norte, no barco, nos anúncios de jornal, um pouco de mim em Londres, um pouco de mim algures? na consoante? no poço? Um pouco fica oscilando na embocadura dos rios e os peixes não o evitam, um pouco: não está nos livros. De tudo fica um pouco. Não muito: de uma torneira pinga esta gota absurda, meio sal e meio álcool, salta esta perna de rã, este vidro de relógio partido em mil esperanças, este pescoço de cisne, este segredo infantil... De tudo ficou um pouco: de mim; de ti; de Abelardo. Cabelo na minha manga, de tudo ficou um pouco; vento nas orelhas minhas, simplório arroto, gemido de víscera inconformada, e minúsculos artefatos: campânula, alvéolo, cápsula de revólver... de aspirina. De tudo ficou um pouco. E de tudo fica um pouco. Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória. Mas de tudo, terrível, fica um pouco, e sob as ondas ritmadas e sob as nuvens e os ventos e sob as pontes e sob os túneis e sob as labaredas e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o vômito e sob o soluço, o cárcere, o esquecido e sob os espetáculos e sob a morte escarlate e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes e sob tu mesmo e sob teus pés já duros e sob os gonzos da família e da classe, fica sempre um pouco de tudo. Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Por Carlos Drummond de Andrade