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“O urbanismo é a tomada do meio ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver-se em sua lógica de dominação absoluta, refaz a totalidade do espaço como seu próprio cenário.” - A sociedade do espetáculo.
Por Guy DebordJosué, JS, 6:15, No sétimo dia, madrugaram ao romper da manhã e, da mesma maneira, rodearam a cidade sete vezes; somente naquele dia rodearam a cidade sete vezes.
Por Josué, Antigo TestamentoTanta volta que já deu a vida Sem responsabilidade afetiva Antes que me pergunte: Meu Deus, o que eu fiz? Pare e dá uma olhada pro teu próprio nariz e me diz Pior que o Pinóquio Tinha o mundo na mão, mas não via o óbvio É osso, ir do topo da terra pro fundo do poço Espero que sirva de escola Como é joguinho quando não se tem bola Água mole e pedra dura, tanto bate até que fura E faz ferida que só tempo cura, é duro mas
Por Giulia BeSe ficar assim me olhando Me querendo, procurando Não sei não eu vou me apaixonar Eu não tava nem pensando Mas você foi me pegando E agora importa onde vá Me ganhou vai ter que me levar Você me vê assim do jeito que eu sou É e faz de mim, tudo que bem quer Eu que sei tão pouco de você E você que teme em me querer Se ficar assim me olhando Me querendo, procurando Não sei não eu vou me apaixonar Eu não tava nem pensando Mas você foi pegando E agora não importa onde vá Me ganhou, vai ter que me levar Com você é bom qualquer lugar.
Por Ana CarolinaOs adultos sempre perguntam às crianças como elas estão na escola. O assunto que as crianças mais detestam. Não dá vontade de falar sobre a escola nem quando se está na escola.
Por David WalliamsAtos, AT, 5:27, Trouxeram os apóstolos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote os interrogou,
Por Atos, Novo TestamentoPreso à minha classe e a algumas roupas,Vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me'? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova.As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem. Crimes da terra, como perdoá-los? Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal.Os ferozes leiteiros do mal. Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Por Carlos Drummond de AndradeComo passar por uma porta. Nosso relacionamento imediatamente se transformou em tom sépia: o passado. (Amy Elliot)
Por Garota Exemplar