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Dois e Dois são Quatro Como dois e dois são quatro Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade pequena Como teus olhos são claros E a tua pele, morena como é azul o oceano E a lagoa, serena Como um tempo de alegria Por trás do terror me acena E a noite carrega o dia No seu colo de açucena - sei que dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade pequena.
Por Ferreira GullarHebreus, HB, 11:8, Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber como herança; e partiu sem saber para onde ia.
Por Hebreus, Novo TestamentoA Irreparável Fuga do Tempo Justamente aquela noite iria começar para ele a irreparável fuga do tempo. Até então ele passara pela despreocupada idade da primeira juventude, uma estrada que na meninice parece infinita, onde os anos escoam lentos e com passo leve, tanto que ninguém nota a sua passagem. Caminha-se placidamente, olhando com curiosidade ao redor, não há necessidade de se apressar, ninguém empurra por trás e ninguém espera, também os companheiros procedem sem preocupações, detendo-se frequentemente para brincar. Das casas, a porta, a gente grande cumprimenta-se benigna e aponta para o horizonte com sorrisos de cumplicidade; assim o coração começa a bater por heroicos e suaves desejos, saboreia-se a véspera das coisas maravilhosas que aguardam mais adiante; ainda não se veem, não, mas é certo, absolutamente certo, que um dia chegaremos a elas. Falta muito? Não, basta atravessar aquele rio lá longe, no fundo, ultrapassar aquelas verdes colinas. Ou já não se chegou, por acaso? Não são talvez estas árvores, estes prados, esta casa branca o que procurávamos? Por alguns instantes tem-se a impressão que sim, e quer-se parar ali. Depois ouve-se dizer que o melhor está mais adiante, e retoma-se despreocupadamente a estrada. Assim, continua-se o caminho numa espera confiante, e os dias são longos e tranquilos, o sol brilha alto no céu e parece não ter mais vontade de desaparecer no poente. Mas a uma certa altura, quase instintivamente, vira-se para trás e vê-se que uma porta foi trancada às nossas costas, fechando o caminho de volta. Então sente-se que alguma coisa mudou, o sol não parece mais imóvel, desloca-se rápido, infelizmente, não dá tempo de olhá-lo, pois já se precipita nos confins do horizonte, percebe-se que as nuvens não estão mais estagnadas nos golfos azuis do céu, fogem, amontoando-se umas sobre as outras, tamanha é sua afoiteza; compreende-se que o tempo passa e que a estrada, um dia, deverá inevitavelmente acabar. A um certo momento batem às nossas costas um pesado portão, fecham-no a uma velocidade fulminante, e não há tempo de voltar. Será então como um despertar. Olhará à sua volta, incrédulo; depois ouvirá um barulho de passos vindo de trás, verá as pessoas, despertadas antes dele, que correm afoitas e o ultrapassam para chegar primeiro. Ouvirá a batida do tempo escandir avidamente a vida. Nas janelas não mais aparecerão figuras risonhas, mas rostos imóveis e indiferentes. E se perguntar quanto falta do caminho, ainda lhe apontarão o horizonte, mas sem nenhuma bondade ou alegria. Entretanto, os companheiros se perderão de vista, um porque ficou para trás, esgotado, outro porque desapareceu antes e já não passa de um minúsculo ponto no horizonte. Além daquele rio — dirão as pessoas —, mais dez quilômetros, e terá chegado. Ao contrário, não termina nunca, os dias se tornam cada vez mais curtos, os companheiros de viagem, mais raros, nas janelas estão apáticas figuras pálidas que balançam a cabeça. Então já estará cansado, as casas, ao longo da rua, terão quase todas as janelas fechadas, e as raras pessoas visíveis lhe responderão com um gesto desconsolado: o que era bom ficou para trás, muito para trás, e ele passou adiante, sem dar por isso. Ah, é demasiado tarde para voltar, atrás dele aumenta o fragor da multidão que o segue, impelida pela mesma ilusão, mas ainda invisível, na branca estrada deserta. Ai, se pudesse ver a si mesmo, como estará um dia, lá onde a estrada termina, parado na praia do mar de chumbo, sob um céu cinzento e uniforme, sem nenhuma casa ao redor, nenhum homem, nenhuma árvore, nem mesmo um fio de erva, tudo assim desde um tempo imemorável.
Por Dino BuzzatiFoi a primeira vez que estive com ela sem ter você ao meu lado, e isso me fez perceber o quão cego eu fui por precisar das suas lentes para conseguir ver o mundo. Eu via a Aline, assim como eu via todos os indivíduos que passavam pelo meu caminho, através dos seus olhos. E sabe qual é a pior parte disso? Você é míope, querido!
Por Juan JullianAinda que eu não saiba querer-te da forma que te gostaria, sempre te quererei com todo meu coração da melhor forma que saiba. Ontem à noite pedi a um anjo que fosse proteger-te enquanto dormias. Pouco depois ele voltou, e lhe perguntei o porquê. "Um anjo não precisa que outro o proteja", respondeu-me. Se realmente ama alguém, o único que deseja para ela é sua felicidade, ainda que você não a possa dar.
Por DidiEfésios, EF, 6:21, E, para que saibam como estou e o que estou fazendo, Tíquico, o irmão amado e fiel ministro do Senhor, lhes dará todas as informações.
Por Efésios, Novo TestamentoEla indagou: — Quem és tu? Respondeu: — Sou o demônio, Nem me espanto com milagre, Nem com reza a Santo Antônio! Pretendo entrar no teu couro! E nisto ouviu-se um estouro! Gritou a velha: — Jesus! Ligeira se ajoelhou E, depois, se persignou E rezou o Credo em cruz! Nisto, o diabo fugiu. E, quando a velha se ergueu, Ele chegou de mansinho, Dizendo logo: — Sou eu! Agora sou teu amigo Quero andar junto contigo, Mostrar-te que sou fiel. Minha carta, queres ver? A velha pediu pra ler E apossou-se do papel. — Dê-me isto! grita o diabo, Em tom de quem sofre agravo. Diz a velha: — Não dou mais! Tu, agora, és o meu escravo!
Por Leandro Gomes de Barros