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não é novidade o fato da nossa vida ser um emaranhado de coisas boas e ruins. e também não é novidade o fato disso nos trazer escolhas e consequências, caminhos desviados e até mesmo contrários. como o fato de duas pessoas que estão destinadas a ficar juntas se encontrarem em um momento certo, mas com uma bagagem aparentemente grande demais. são medos, cicatrizes, traumas e necessidades acumuladas. dependendo do tempo em que esse encontro acontece, existe uma vida inteira antes. e o que quero dizer com isso é que: talvez você pense que a pessoa certa se encaixará perfeitamente no que você é, mas nem sempre é assim. existirão momentos em que você irá precisar se desdobrar, mesmo que naturalmente, pra estar ali. nós, humanos, não funcionamos exatamente como moldes, mas somos flexíveis o bastante para se adequar ao que chamamos de amor. lembrando que nenhum relacionamento deve mudar quem você é, mas as vezes só é preciso um pouco de paciência antes do encaixe. somos ruínas, e novas construções levam tempo.
Por Afeto InterestelarA história não é mais do que a narração dos esforços empregados pelo homem para edificar um ideal e destrui-lo em seguida, quando, tendo-o atingido, descobre a sua fragilidade.
Por Gustave Le BonOs Três Mal-Amados O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Por João Cabral de Melo NetoI Reis, 1RS, 22:35, A batalha se intensificou naquele dia. Quanto ao rei, seguraram-no em pé no seu carro de guerra de frente para os sírios, mas à tarde ele morreu. O sangue corria da ferida para o fundo do carro.
Por I Reis, Antigo TestamentoCompetência é uma ave rara nesta floresta, que eu sempre aprecio quando vejo. (Frank Underwood)
Por House of Cards" Em algum canto, em algum lugar que você talvez não tenha reparado até este momento, está a resposta que você queria, o milagre que você precisava. Para que este milagre aconteça basta prestar atenção"
Por Paulo CoelhoOs piores culpados são aqueles que possuem discernimento e ciência dos fatos.
Por Poeta Pernambucano Fernando Matos