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Um navio está seguro ancorado no porto, mas ⁠não é para isso que navios existem.

Por John A. Shedd

Queremos o mundo e o queremos...agora!

Por Jim Morrison

Se você está disposto a fracassar de maneira interessante,você tende a fazer sucesso de forma interessante.

Por Edward Albee

Mateus, MT, 13:29, <J>O dono da casa respondeu: ´Não! Porque, ao separar o joio, vocês poderão arrancar também com ele o trigo.</J>

Por Mateus, Novo Testamento

Lucas, LC, 23:39, Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo: - Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.

Por Lucas, Novo Testamento

Pra agradecer os momentos Me jogo ao vento Pra te alcançar

Por Gabriel Coelho

Esdras, ED, 9:8, Agora, por um breve momento, se manifestou a graça do Senhor, nosso Deus, deixando que alguns escapassem, dando-nos estabilidade no seu santo lugar. Assim, iluminaste os nossos olhos, ó nosso Deus, e nos deste um pouco de vida em meio à nossa servidão.

Por Esdras, Antigo Testamento

A vontade são as escolhas que fazemos para aliar nossas ações às nossas intenções.

Por James C. Hunter

Don't stop loving me. I can see it draining out of you. It's me, remember? It was a stupid thing to do and it meant nothing. If you love me enough, you'll forgive me. (Anna)

Por Closer - Perto Demais

dívida⁠ não é minha função te fazer ficar eu não te devo nada eu não te devo minhas horas de trabalho as noites que chorei por ti as manhãs em que procurei alguma mensagem e nada pulsava as tardes onde as plantas precisavam te ver porém presença alguma aguava o caule amansava a casa e eu não te devo nada. não te devo os textos que escrevi enquanto te esperava voltar as mensagens escritas e apagadas tantas e tantas vezes às segundas e terças e todos os outros dias as vezes que dei perda total e gritei teu nome em alguma balada da Rua Augusta o choro preso na garganta na linha amarela do metrô a angústia que me acompanhava durante o trajeto de quarenta e cinco minutos da linha azul todas as outras cores do metrô de São Paulo que já me viram padecer e ter crises de ansiedade de ausência de solidão os passos dados em direção a algum lugar, qualquer um, que tirasse você da minha cabeça eu não te devo nada eu não te devo os boletos que você pagou e as compras de mercado que fizemos juntos as feiras às terças e as frutas que comprávamos no fim de semana pois era mais barato e estavam mais bonitas as idas ao hortifruti no sábado e aos domingos o pastel com caldo de cana eu não te devo os jantares a lasanha com Coca-Cola nos almoços a padaria da esquina pela manhã e todo o ritual que tínhamos para fazer qualquer coisa nas primeiras horas do dia eu não te devo as festas na casa dos amigos nem as vezes que ficamos chapados de cigarro ou intimidade as comemorações de promoção no trabalho as garrafas de vinho compradas na promoção do supermercado Zona Sul a pia cheia de louça esperando para ser limpa não é minha função te fazer ficar eu não te devo nada nenhuma lágrima que chorei na terapia às quintas das 19 às 20h o chocolate que eu comia toda vez que uma crise aparecia atrás de mim e me assustava os pelos do pescoço os gritos e as brigas e os dias sem se falar e as semanas se desmanchando na adrenalina de enfim perceber que estava acabando que estava indo tudo estava indo mas eu não te devo nada as horas na casa da sua mãe reclamando que uma vez mais nós estávamos distantes afastados mais distantes do que óleo e água quando colocados juntos não nos misturávamos nem queríamos nos misturar os passeios de bike pela orla da praia as vezes que jogamos vôlei com pessoas desconhecidas e as tornamos mais conhecidas que um ao outro as tardes no arpoador com cerveja e cigarro as viagens para Salvador para visitar meus pais porque você queria mostrar a eles o quanto os amava apesar de mim eu não te devo os discos que você comprou nos meus aniversários os vinis da Maria Bethânia e Gilberto Gil a vitrola que continha um anel de noivado e todas as histórias memórias e tristezas de um casamento que quase deu certo se não fosse por você por nós pela vida não é minha obrigação te fazer ficar de repente redecorar o apartamento mudar os móveis de lugar colocar o sofá rente à parede abrir as janelas ceder ainda mais espaço na cama e fechar a porta a decisão continuaria sendo sua meu bem a decisão da mão na maçaneta das malas no centro da sala o discurso de quem se perdeu e não sabe como voltar como retornar ao primeiro momento ao primeiro instante à primeira comunhão a verdade é que nos perdemos entre os silêncios compridos dos dias que pareciam inofensivos, mas que traziam consigo vazios e espaços indesculpáveis dias que abriram crateras entre nós e nossos desejos alargando o espaço que existia na cama e em nossas almas apagando a paixão com extintores de incêndio e beijos mornos e abraços pequenos e sexos sem amor queimando o tesão com pitadas de sonolência provas da faculdade e expediente em horários que deveríamos estar juntos fazendo alguma coisa qualquer coisa eu não podia te fazer ficar você já sabia o caminho até sua outra casa destino e coração já havia outra cama esperando pelo seu corpo ter com quem conversar outra rede na varanda e o anseio de te ver descansar da vida e do perigo da vida de mim e do perigo que fomos um ao outro você já havia decorado o tamanho dos paralelepípedos o cheiro do pão da padaria próxima à rua que agora você mora o aroma dos carros atravessando a pista e dizendo que a vida não para porque duas pessoas que se gostaram um dia deixaram de se compartilhar a vida não espera a gente meu amor e isso é terrivelmente triste e necessário também mas eu não te devo nada. não nos devemos.

Por Igor Pires (escritor)