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A vida seria muito mais fácil se não ficássemos aprisionados por nosso corpo e seus desejos vis.
Por Cai ChongdaTem dia em que eu acordo e, de verdade, pouco importam as minhas dificuldades, sejam elas até já desgastadas pelo tempo, sejam elas viçosas, recentemente inauguradas, tudo me parece perfeito. Tudo é como pode ser agora, eu estou onde consigo estar, o tempo das coisas é o tempo das coisas, e isso vale também para cada pessoa que compartilha a sala de aula comigo. Tem dia em que eu acordo e faço contato com uma gentileza tão linda que desconhece essa história de acertos e erros, sejam meus ou alheios, viver é trabalhoso e todo mundo se atrapalha, de um jeito ou de outros. Toda gente só precisa de consciência, cura e amor. Toda gente só quer ser feliz. Não há motivo para pressa e também não há estagnação, eu permito que a vida possa simplesmente fluir, sem tentar, em vão, amarrar ou alterar o jeito de dizer das suas ondas. Este sentimento pode durar poucos quarteirões do dia, um monte deles, até mesmo só alguns centímetros de passo, enquanto dura é absoluto. E eu me sinto feliz e grata por tudo, vejo amor, mestria, chance de aprendizado, em cada ínfima coisa que me acontece. Ainda que chova, e às vezes chove muito, a memória da ternura luminosa e imutável do sol faz eu lembrar da natureza preciosa da vida. O sol não vai a lugar nenhum, ele fica exatamente onde está, mas a nuvem, a chuva, sempre passam. Tem dia em que eu acordo lindeza e coloco bobagem pra dormir porque a nítida prioridade é a harmonia do meu coração, o contentamento natural capaz de me nutrir, proteger e me ajudar a seguir. Este sentimento pode durar poucos quarteirões do dia, um monte deles, até mesmo só alguns centímetros de passo, enquanto dura é lembrança da realidade divina perene que é sol por trás da temporária nuvem, da temporária chuva, que possam molhar os olhos da personagem. Enquanto dura é alegria e descanso e eu lembro do que, de verdade, me importa.
Por Ana JácomoA democracia é uma forma de governo que prevê a livre discussão, mas que só é atingida se as pessoas pararem de falar.
Por Clement AtleeMateus, MT, 25:28, <J> - ´Portanto, tirem dele o talento e deem ao que tem dez.</J>
Por Mateus, Novo TestamentoNo Brasil, é necessário lutar pelos direitos de todos e pelo fim da exclusão social.
Por D. Paulo Evaristo ArnsA franja na encosta Cor de laranja Capim rosa chá O mel desses olhos luz Mel de cor ímpar O ouro ainda não bem verde da serra A prata do trem A lua e a estrela Anel de turquesa Os átomos todos dançam Madruga Reluz neblina Crianças cor de romã Entram no vagão O oliva da nuvem chumbo Ficando Pra trás da manhã E a seda azul do papel Que envolve a maçã As casas tão verde e rosa Que vão passando ao nos ver passar Os dois lados da janela E aquela num tom de azul Quase inexistente, azul que não há Azul que é pura memória de algum lugar Teu cabelo preto Explícito objeto Castanhos lábios Ou pra ser exato Lábios cor de açaí E aqui, trem das cores Sábios projetos: Tocar na central E o céu de um azul Celeste celestial
Por Caetano VelosoSó me resta agora Esta graça triste De te haver esperado Adormecer primeiro. Ouço agora o rumor Das raízes da noite, Também o das formigas Imensas, numerosas, Que estão, todas, corroendo As rosas e as espigas. Sou um ramo seco Onde duas palavras Gorjeiam. Mais nada. E sei que já não ouves Estas vãs palavras. Um universo espesso Dói em mim com raízes De tristeza e alegria. Mas só lhe vejo a face Da noite e a do dia. Não te dei o desgosto De ter partido antes. Não te gelei o lábio Com o frio do meu rosto. O destino foi sábio: Entre a dor de quem parte E a maior — de quem fica — Deu-me a que, por mais longa, Eu não quisera dar-te. Que me importa saber Se por trás das estrelas haverá outros mundos Ou se cada uma delas É uma luz ou um charco? O universo, em arco, Cintila, alto e complexo. E em meio disso tudo E de todos os sóis, Diurnos, ou noturnos, Só uma coisa existe. É esta graça triste De te haver esperado Adormecer primeiro. É uma lápide negra Sobre a qual, dia e noite, Brilha uma chama verde
Por Cassiano Ricardo