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Salmos, SL, 119:105, Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, é luz para os meus caminhos.
Por Salmos, Antigo TestamentoChega de astrologia Antropologia Não tem hora certa nem lua nova Nosso amor é agora
Por Ana Frango ElétricoSe você espera o melhor momento para criar algo, isso pode nunca ocorrer.
Por A Biblioteca dos Sonhos Secretos (livro)Josué, JS, 24:3, Eu, porém, trouxe Abraão, o pai de vocês, do outro lado do rio e o fiz percorrer toda a terra de Canaã. Também multipliquei a descendência dele e lhe dei Isaque.
Por Josué, Antigo TestamentoNúmeros, NM, 26:17, de Arodi, a família dos aroditas; de Areli, a família dos arelitas.
Por Números, Antigo TestamentoLembranças Campeiras No final da noite fria, o vento corta, cortando a pele queimada, com cheiro de suor e terra. O sol espia no horizonte e clareia o dia. No chão, o fogo dança e espreita por entre toras. Na trempe, a água esquenta pra fazer o mate dessas horas. No espeto, a carne cheira enchendo o ar das narinas rudes e geladas. A mão que sova a erva aguarda a água quente pra servir à roda, com rostos marcados, de boca em boca, sorrindo ao dia que nasce nas coxilhas. No pampa guasca é mais um dia de um conto gaúcho.
Por Victor MottaPara além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto – é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma ideia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia – é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. É para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois – depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando do nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome. É para o meu pobre nome que vou. E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber. À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente. Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Por Clarice Lispector