Veja outros textos inspiradores!

Para entender o mundo de fato, às vezes só o que você podia fazer era focar numa pequena parte dele, olhar bem atentamente para o que estava mais à mão e fazê-lo valer pelo todo.

Por Donna Tartt

⁠A última vez que você vê alguém nunca é a última vez que você o vê. O espaço vazio que uma pessoa deixa para trás retém o calor; a retina preservará seu rosto para mais tarde.

Por Hilary Leichter

Jeremias, JR, 49:24, Damasco está enfraquecida; virou as costas para fugir. Tremor tomou conta dela; angústia e dores lhe sobrevieram, como de mulher que está dando à luz.

Por Jeremias, Antigo Testamento

Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis. Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho. Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS. Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela. Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo. Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

Por Gregório Duvivier

Amós, AM, 6:12, ´Será que os cavalos podem correr sobre as rochas? Será que é possível lavrá-las com bois? No entanto, vocês transformaram o juízo em veneno e o fruto da justiça, em alosna.

Por Amós, Antigo Testamento

Meu coração triste, meu coração ermo, Tornado a substância dispersa e negada Do vento sem forma, da noite sem termo, Do abismo e do nada!

Por Fernando Pessoa

Agradecimentos e reconhecimentos são ações pequenas e simples, mas que têm um enorme impacto na motivação e no engajamento do funcionário.

Por Bob Nelson

Quando acontecem tragédias, tentamos achar alguém pra culpar. Na ausência de um candidato melhor, culpamos a nós mesmos. Você não é culpado. Ninguém é culpado. (Violet Crawley)

Por Downton Abbey

A representatividade é importante, porque não basta ser mulher e mulher negra, mas tem que estar comprometida com as questões, e eu estou. Comprometida com as pautas feministas, com a questão racial, com a agenda dos direitos humanos no Brasil.

Por Djamila Ribeiro

Gosto de sentir minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia esta para a prosa Assim como o amor esta para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior E deixa os portugais morrerem a mingua "Minha pátria é minha língua" Fala mangueira! Fala! Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas E o falso inglês relax dos sufistas Sejamos imperialistas Vamos na velô de dicção chao chao de Carmem Miranda E que Chico Buarque de Holanda nos resgate E -xeque-mate- explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da teve globo Sejamos o lobo do lobo do homem (...) Flor de Lácio Sambódromo Lusamérica Latim em pó O que quer O que pode Esta língua? (...)

Por Caetano Veloso