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Não me venham com a problemática que eu tenho a solucionática.

Por Dadá Maravilha

Os homens têm grandes pretensões e projectos pequenos.

Por Luc de Clapiers Vauvenargues

Juízes, JZ, 7:5, Gideão fez com que os homens descessem até as águas. Então o Senhor lhe disse: - Todos os que lamberem a água com a língua, como faz o cachorro, esses você deve pôr à parte, separando-os daqueles que se ajoelharem para beber.

Por Juízes, Antigo Testamento

EU, ETIQUETA Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.

Por Carlos Drummond de Andrade

Hebreus, HB, 6:3, Isso faremos, se Deus o permitir.

Por Hebreus, Novo Testamento

Sinto informar Essas malas que estão no carro São todas as que eu vou levar Mas antes de ir quero que se recolha Pra não ter que ir presenciar Minha volta sem volta direto pro lugar Onde eu te levaria pra conhecer meu lar Cabe tudo no peito e se não é só deixar De levar você em mim

Por Bravaguarda

Todas as bandeiras se encheram tanto de sangue que é tempo de as banirmos por completo.

Por Gustave Flaubert

Gênesis, GN, 17:6, Farei com que você seja extraordinariamente fecundo. De você farei surgir nações, e reis procederão de você.

Por Gênesis, Antigo Testamento

Salmos, SL, 59:1, Livra-me, Deus meu, dos meus inimigos; põe-me fora do alcance dos meus adversários.

Por Salmos, Antigo Testamento

Os homens são como as ondas, quando uma geração floresce, a outra declina.

Por Homero