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⁠Dê boas-vindas à sua dor, pois ela o fará ver a verdade. Abrace seu fracasso, pois ele será um catalisador para o crescimento. Ame seu caos interior, pois ele enfim o levará à descoberta de si mesmo.

Por Haemin Sunim

Êxodo, EX, 10:13, Moisés estendeu o seu bordão sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento leste todo aquele dia e toda aquela noite. Quando amanheceu, o vento leste tinha trazido os gafanhotos.

Por Êxodo, Antigo Testamento

Sua humildade foi testada. Sua paciência foi colocada em cheque. Sua determinação e sua ambição também. Você não pode deixar com que essas pessoas te façam sentir, nem mesmo por um segundo, que você foi diminuído ou rebaixado. Você deve chegar à conclusão de que a vida é curta e dar o seu melhor. Essas são as cartas que você recebeu, e você deve aprender a jogar com elas. Não tem como você ficar desperdiçando todo esse tempo imaginando que as coisas poderiam ter sido diferentes.

Por Henry Rollins

Eu decidi ser sua crise, roubar sua certeza Invadir seu pensamento, prender o seu ar A sua voz me mata, não posso resistir Sei que sente falta quando eu não tô aqui Então me ame antes do mundo, ame antes de tudo Seja quem pode não ser daqui a um segundo Tudo que nos restou foi a nossa loucura Eu quero tudo que você quiser dar

Por Kafé

É pela quantidade de trabalho fornecida pelo artista que medimos o valor de uma obra de arte.

Por Guillaume Apollinaire

Till We Ain't Strangers Anymore Pode ser difícil sermos amantes Mas é mais difícil sermos amigos; Querida, levante os lençóis! Está na hora de me deixar entrar, Talvez acender algumas velas; Eu irei trancar a porta; Se você conversasse comigo Até que não sejamos mais estranhos. Coloque a cabeça em meu travesseiro, Eu sentarei ao seu lado na cama; Você não acha que está na hora De dizermos algumas coisas que não foram ditas? Nunca é tarde para voltar àquele lugar, De volta para o caminho que nós estávamos; Por que você não olha para mim Até que não sejamos mais estranhos? Ás vezes é difícil de me amar, Ás vezes é difícil de te amar também, Eu sei que é difícil de acreditar Que o amor pode nos salvar; Seria tão fácil viver sem os problemas Me abrace, querida Até que não sejamos mais estranhos. É difícil encontrar o perdão Quando apagamos as luzes; É difícil dizer o quanto se está arrependido Quando não diferenciamos o certo do errado; Seria tão fácil passar a vida inteira se divertindo; Então vamos resolver isso, Não há razão para mentirmos. Me diga quem você vê quando você olha em meus olhos; Vamos unir os nosso corações novamente, E os pedaços estarão espalhados pelo chão. Faça amor comigo, querida Até que não sejamos mais estranhos, Nós não somos mais estranhos

Por Bon Jovi

A felicidade de longo prazo vem de realizações, que serão diferentes para cada um de nós.

Por Benjamin Ferencz

Não tenho medo de nada. Temos que ensinar o medo a ter medo de nós.

Por Elza Soares

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Por Clarice Lispector

I Crônicas, 1CR, 6:70, e, da meia tribo de Manassés, Aner com os seus arredores e Bileã com os seus arredores foram dadas às demais famílias dos filhos de Coate.

Por I Crônicas, Antigo Testamento