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Deuteronômio, DT, 22:3, Faça o mesmo com o jumento, com a roupa, ou com qualquer outra coisa que o seu compatriota perder e que você achar; você não pode se omitir.

Por Deuteronômio, Antigo Testamento

Juízes, JZ, 15:8, E ele os atacou com fúria, matando muitos deles. Depois desceu e habitou numa caverna da rocha de Etã.

Por Juízes, Antigo Testamento

Quando lemos uma história, nós a habitamos. As capas do livro são como um telhado e quatro paredes.

Por John Berger

Ai, a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão.. As vezes dá vontade de fazer tudo errado. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e nao estar nem ai pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Nós, que nao aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios de sex in the city, uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. Ok? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago

Por Danuza Leão

Mateus, MT, 14:34, Estando já no outro lado, chegaram à terra de Genesaré.

Por Mateus, Novo Testamento

É preciso fazer um esforço para deixar de sentir o presente, como na música para deixar de ouvir o timbre dos instrumentos.

Por Hugo Hofmannsthal

Acredito que estou no inferno, portanto estou nele.

Por Arthur Rimbaud

Uma ladainha pela sobrevivência Para aquelas de nós que vivem na beirada encarando os gumes constantes da decisão crucial e solitária para aquelas de nós que não podem se dar ao luxo dos sonhos passageiros da escolha que amam na soleira vindo e indo nas horas entre as alvoradas olhando no íntimo e pra fora simultaneamente antes e depois buscando um agora que possa procriar futuros como pão na boca de nossas crianças pra que os sonhos delas não reflitam a morte dos nossos; Para aquelas de nós que foram marcadas pelo medo como uma linha tênue no meio de nossas testas aprendendo a ter medo com o leite de nossas mães pois por essa arma essa ilusão de alguma segurança vindoura os marchantes esperavam nos calar Pra todas nós este instante e esta glória Não esperavam que sobrevivêssemos E quando o sol nasce nós temos medo ele pode não durar quando o sol se põe nós temos medo ele pode não nascer pela manhã quando estamos de barriga cheia nós temos medo de indigestão quando nossos estômagos estão vazios nós temos medo nós podemos nunca mais comer novamente quando somos amadas nós temos medo o amor vai acabar quando estamos sozinhas nós temos medo o amor nunca vai voltar e quando falamos nós temos medo nossas palavras não serão ouvidas nem bem-vindas mas quando estamos em silêncio nós ainda temos medo Então é melhor falar tendo em mente que não esperavam que sobrevivêssemos

Por Audre Lorde

Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira – e mais importante – coisa que você precisa aprender a meu respeito. (...) Não sei receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.

Por Clarissa Corrêa

Tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.

Por Khalil Gibran