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De todas as absurdas suposições da humanidade nada excede as críticas feitas dos hábitos dos podres, pelos que tem boa moradia estão bem aquecidos e bem alimentados.
Por Herman MelvilleEsta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas não: é este estar entre, Este quase, Este poder ser que..., Isto. Um internado num manicómio é, ao menos, alguém, Eu sou um internado num manicómio sem manicómio. Estou doido a frio, Estou lúcido e louco, Estou alheio a tudo e igual a todos: Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura Porque não são sonhos Estou assim... Pobre velha casa da minha infância perdida! Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! Que é do teu menino? Está maluco. Que é de quem dormia sossegado sob o teu tecto provinciano? Está maluco. Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou. Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer! Por exemplo, por aquele manipanso Que havia em casa, lá nessa, trazido de África. Era feiíssimo, era grotesco, Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê. Se eu pudesse crer num manipanso qualquer — Júpiter, Jeová, a Humanidade — Qualquer serviria, Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo? Estala, coração de vidro pintado!
Por Álvaro de CamposI Timóteo, 1TM, 6:4, esse é orgulhoso e não entende nada, mas tem um desejo doentio por discussões e brigas a respeito de palavras. É daí que nascem a inveja, a provocação, as difamações, as suspeitas malignas
Por I Timóteo, Novo TestamentoE-ter-na-mente Vôo longe em pensamento, em segundos me sinto totalmente tomada à lembranças, as sinto tão ardentemente, como se estivesse vivenciando novamente, me sinto estremecer por dentro, começo a sentir a garganta secar e ouço com mais atenção o pulsar do coração. E lembro-me tão perfeitamente em detalhes de quando eu sentia a presença dele tão perto, quando eu sentia seu coração bater junto ao meu, e sentia o sabor do seu beijo, era algo que nunca imaginei deixar de sentir. Era o momento em que eu flutuava, e pelo qual eu tinha anseio por todos os dias. De repente voltei ao meu estado normal, percebi, tinha viajado nos meus pensamentos, talvez eu não quisesse sentir tudo aquilo novamente, me deixei levar pela música que embalava em meus ouvidos, mas não era uma música qualquer, era nossa música, a que eu o ouvia cantar pra mim, tão linda que era como se os anjos se alegrassem ao ouvi-la. Após esse turbilhão de pensamentos, percebi que uma lágrima escorria dos meus olhos até a boca, senti o gosto salgado dela, e foi quando vi que salgado e ruim como o gosto daquela lágrima, era o fato de tudo isso se resumir apenas a lembranças.
Por Juliana FélixEnquanto a maré banhava a areia da praia, o Homem das Tulipas Holandês contemplava o oceano: – Juntadora treplicadora envenenadora ocultadora reveladora. Repare nela subindo e descendo, levando tudo consigo. – O que é? – Anna perguntou. – A água – respondeu o holandês. – Bem, e as horas. (Trecho do livro fictício "Uma aflição imperial, do escritor fictício Peter Van Houten)
Por John GreenTem coisas que quero mas não devo, outras que devo mas não posso e outras que posso mas não quero!
Por Di CastilhoMorte (Hora de Delírio) Pensamento gentil de paz eterna Amiga morte, vem. Tu és o termo De dous fantasmas que a existência formam, — Dessa alma vã e desse corpo enfermo. Pensamento gentil de paz eterna, Amiga morte, vem. Tu és o nada, Tu és a ausência das moções da vida, do prazer que nos custa a dor passada. Pensamento gentil de paz eterna Amiga morte, vem. Tu és apenas A visão mais real das que nos cercam, Que nos extingues as visões terrenas. Nunca temi tua destra, Não vou o vulgo profano; Nunca pensei que teu braço Brande um punhal sobr'humano. Nunca julguei-te em meus sonhos Um esqueleto mirrado; Nunca dei-te, pra voares, Terrível ginete alado. Nunca te dei uma foice Dura, fina e recurvada; Nunca chamei-te inimiga, Ímpia, cruel, ou culpada. Amei-te sempre: — pertencer-te quero Para sempre também, amiga morte. Quero o chão, quero a terra, - esse elemento Que não se sente dos vaivens da sorte. Para tua hecatombe de um segundo Não falta alguém? — Preencha-a comigo: Leva-me à região da paz horrenda, Leva-me ao nada, leva-me contigo. Miríades de vermes lá me esperam Para nascer de meu fermento ainda, Para nutrir-se de meu suco impuro, Talvez me espera uma plantinha linda. Vermes que sobre podridões refervem, Plantinha que a raiz meus ossos fera, Em vós minha alma e sentimento e corpo Irão em partes agregar-se à terra. E depois nada mais. Já não há tempo, nem vida, nem sentir, nem dor, nem gosto. Agora o nada — esse real tão belo Só nas terrenas vísceras deposto. Facho que a morte ao lumiar apaga, Foi essa alma fatal que nos aterra. Consciência, razão, que nos afligem, Deram em nada ao baquear em terra. Única idéia mais real dos homens, Morte feliz — eu quero-te comigo, Leva-me à região da paz horrenda, Leva-me ao nada, leva-me contigo. Também desta vida à campa Não transporto uma saudade. Cerro meus olhos contente Sem um ai de ansiedade. E como um autômato infante Que ainda não sabe mentir, Ao pé da morte querida Hei de insensato sorrir. Por minha face sinistra Meu pranto não correrá. Em meus olhos moribundos Terrores ninguém lerá. Não achei na terra amores Que merecessem os meus. Não tenho um ente no mundo A quem diga o meu - adeus. Não posso da vida à campa Transportar uma saudade. Cerro meus olhos contente Sem um ai de ansiedade. Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo: Por isso, ó morte, eu quero-te comigo. Leva-me à região da paz horrenda, Leva-me ao nada, leva-me contigo.
Por Junqueira Freire