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"Em um mundo onde a hipocrisia reina absoluta, ser você mesmo tornou-se coisa pra corajoso."

Por Edna Frigato

Levar-te à boca, beber a água mais funda do teu ser - se a luz é tanta, como se pode morrer?

Por Eugénio de Andrade

Mateus, MT, 18:13, <J>E, se consegue encontrá-la, em verdade lhes digo que ficará mais alegre por causa desta do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.</J>

Por Mateus, Novo Testamento

É sem dúvida mais fácil enganar uma multidão do que um só homem.

Por Heródoto

Você diz a verdade quando ninguém diz. E não vê as coisas como os outros. Preciso de alguém como você.

Por A Imperatriz (série)

O amor é como a água. Pode ser tranquilo. Raivoso. Ameaçador. Apaziguante. A água pode ser muitas coisas, mas em todas as suas formas sempre será água.

Por Até o verão terminar (livro)

Felicidade é nada mais que boa saúde e memória ruim.

Por Albert Schweitzer

Mateus, MT, 13:34, Jesus disse todas estas coisas às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia.

Por Mateus, Novo Testamento

Se você deseja realmente deseja tudo aquilo que tanto sonhou, preste atenção no som da tua vóz, para poder contar tudo aquilo de realizou.

Por Flávio Vieira

Grandes são os desertos Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo inteiro. Volta amanhã, realidade! Basta por hoje, gentes! Adia-te, presente absoluto! Mais vale não ser que ser assim. Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito. Mas tenho que arrumar mala, Tenho por força que arrumar a mala, A mala. Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão. Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala. Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas, A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino. Tenho que arrumar a mala de ser. Tenho que existir a arrumar malas. A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte. Olho para o lado, verifico que estou a dormir. Sei só que tenho que arrumar a mala, E que os desertos são grandes e tudo é deserto, E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci. Ergo-me de repente todos os Césares. Vou definitivamente arrumar a mala. Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; Hei de vê-la levar de aqui, Hei de existir independentemente dela. Grandes são os desertos e tudo é deserto, Salvo erro, naturalmente. Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado! Mais vale arrumar a mala. Fim.

Por Álvaro de Campos