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A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei os meus dias a tentar prolongá-los. Usarei o meu tempo.

Por Jack London

I Coríntios, 1CO, 15:25, Porque é necessário que ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.

Por I Coríntios, Novo Testamento

Vou contar um segredo Eu quebrei meu relógio Só conto os segundos Se eles forem nossos

Por Atitude 67

Jeremias, JR, 23:39, eu os levantarei e os lançarei fora da minha presença, tanto vocês como a cidade que dei a vocês e aos seus pais.

Por Jeremias, Antigo Testamento

⁠Quando era criança, eu não via a hora de estar com Henry. Cada visita era um acontecimento. Agora, cada ausência é um não acontecimento, uma subtração, uma aventura sobre a qual vou ouvir quando meu aventureiro se materializar aos meus pés, sangrando ou assobiando, sorrindo ou tremendo. Agora tenho medo quando ele some.

Por A Mulher do Viajante no Tempo

CREPÚSCULO Distância de horizontes! Como também estou longe, na hora indefinida, de uns outros horizontes! - Distância de meus olhos desta vida... Noção do existir, do começo e do fim, tudo desterra em mim a hora triste e vaga e esta luz diluída sobre a terra. Já não sou mais que a pedra que se eleva ou o mísero musgo que a envolve, vivendo dela à custa de humildade. E no entanto sinto, como nunca, pairar nesta penumbra indefinida uma revelação de eternidade.

Por Francisco Bugalho

Ezequiel, EZ, 44:22, O sacerdote não se casará nem com viúva nem com mulher divorciada, mas somente com uma virgem da linhagem da casa de Israel ou com a viúva de um sacerdote.

Por Ezequiel, Antigo Testamento

LISBON REVISITED (1926) Nada me prende a nada. Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo. Anseio com uma angústia de fome de carne O que não sei que seja - Definidamente pelo indefinido... Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto De quem dorme irrequieto, metade a sonhar. Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias. Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua. Não há na travessa achada o número da porta que me deram. Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido. Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. Até a vida só desejada me farta - até essa vida... Compreendo a intervalos desconexos; Escrevo por lapsos de cansaço; E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia. Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme; Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago; ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso. Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma... E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei, Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa (E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas), Nas estradas e atalhos das florestas longínquas Onde supus o meu ser, Fogem desmantelados, últimos restos Da ilusão final, Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido, As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus. Outra vez te revejo, Cidade da minha infância pavorosamente perdida... Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui... Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei, E aqui tornei a voltar, e a voltar. E aqui de novo tornei a voltar? Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram, Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória, Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim? Outra vez te revejo, Com o coração mais longínquo, a alma menos minha. Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -, Transeunte inútil de ti e de mim, Estrangeiro aqui como em toda a parte, Casual na vida como na alma, Fantasma a errar em salas de recordações, Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem No castelo maldito de ter que viver... Outra vez te revejo, Sombra que passa através das sombras, e brilha Um momento a uma luz fúnebre desconhecida, E entra na noite como um rastro de barco se perde Na água que deixa de se ouvir... Outra vez te revejo, Mas, ai, a mim não me revejo! Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico, E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim - Um bocado de ti e de mim! (Heterônimo de Fernando Pessoa)

Por Álvaro de Campos

Um dia, tudo vai sumir. Até o céu. Meu planeta se foi. Está morto. Ardeu, como a terra. Só restaram pedras e pó. Antes do tempo.

Por Doctor Who

⁠Tive poucos amigos na minha vida, e quase sempre tive amigos animais e imaginários. Seria bom ter um amigo da vida real, mas não sei se vou encontrar um.

Por Amor no Espectro